Importante: não é possível agora dar uma resposta definitiva sobre essa questão, tanto pela sua complexidade quanto por ser recente na experiência humana. A discussão sobre a construção da esfera pública na era digital assume centralidade cada vez maior nas pesquisas acadêmicas. A precoupação com a mass media que esteve muito presente nas últimas décadas é acrescida dos meios digitais.
Esfera Pública
A esfera pública é um espaço comum em que, supostamente, os membros da sociedade se encontram através de uma variedadede meios – imprensa, electrônica e também encontros face a face –para discutirem assuntos de interesse comum e, deste modo, serem capazes de formar a seu respeito uma mente comum. Esta mente comum é uma visão reflexiva, emanando do debate público, e não apenas a soma de algumas concepções presentes na população.
Constelação deespaçoe comunicativos que permitem a circulação de ideias, informações, debates e a formação da opinião pública.
Esses espaços, nos os meios de comunicação de massa e, mais recentemente, as mídias interativas figuram proeminentemente servem para facilitar as trocas entre os cidadãos e os detentores do poder na sociedade( fala-se em política).
Só se todas as discussões dispersas forem encaradas pelos seus participantes como reunidas numa grande permuta é que tem sentido falar em opinião pública.
Há condições objetivas para isso: internas- as discussões fragmentadas locais devem se referir umas às outras; externas: condições materiais para que as discussões alcancem a esfera pública (meio impresso, meio televisivo, meio digital).
Opinião pública: só existe a partir de ações comuns.
Ações comuns são mais do que ações convergentes, ou seja, ações em que o objeto de consciência é o mesmo por acaso, não por comum acordo.
A esfera pública transcende espaços tópicos. Ela agrupa esses espaços em um espaço de não-assembleia. Espaço metatópico (espaço comum não local).
Tais espaços são, em parte, constituídos por compreensões comuns; isto é, não são redutíveis a esses entendimentos, mas não existem sem eles.
Géneros novos, sem precedentes, de espaços exigem compreensões novas e sem antecedentes. Assim acontece com a esfera pública.
O que há de novidade na esfera pública não é a metatopicalidade. Igreja e Estado já eram espaços metatópicos. As características que fazem da esfera pública algo novo (XVIII) são: a sua identidade independente do político (existe um lugar para se estar, mentalmente, fora da política, a partir do qual poderia julgar sua ação e sua prática. Este é o que se reflete nos novos modos de imaginar a sociedade, a dizer, a dimensão econômica e a esfera pública.) e, em segundo lugar, a liberdade essencial aos direitos para cuja defesa existe a sociedade.
Opinião pública: condições incesssantes de legitimidade.
A esfera pública éum espaço de discussão que, de forma muito consciente, se encara como existindo fora do poder. Supõe-se que é ouvida pelo poder, mas não é, em si mesmo, um exercício de poder.
Por outras palavras, com a moderna esfera pública, desponta a ideia de que o poder político deve ser fiscalizado e vigiado por alguém de fora.
“Num país livre, todo o homem pensa que ele se deve preocupar com todos os assuntos públicos”.- Burke.
http://www.lusosofia.net/textos/taylor_charles_esfera_publica.pdf
Na última década, estudos esforçaram-se por atender as novas necessidades de compreensão sobre a esfera pública, perguntando-se se a Internet impactaria- ou já impacta-a conformação da esfera pública, e, se já impacta, quais são as características desse impacto.
Essa discussões foram acompanhadas, inevitavelmente, do consenso internacional de que a democracia vive tempos difíceis; mais especificamente, a esperança de que a Internet seria responsável por criar um ambiente mais democrático.
A transformação do paradigma dos meios de comunicação de massas acarreta mudanças assinaláveis em termos das práticas midiáticas e do papel de cidadão / consumidor / produtor. Os novos media, em particular a internet, colocam novos desafios teóricos, metodológicos e práticos à constituição de uma esfera pública digital. Os espaços públicos convencionais de discussão são confrontados com diversas formas de socialização, com organizações em rede e com novos canais de disseminação e troca de informação que colocam ‘velhas’ questões em termos de poder, regulação, cidadania, participação, auto-expressão e identidade.
O fato de a internet colocar à disposição dos utilizadores uma série de novas ferramentas não significa que estas sejam utilizadas para uma cidadania mais participada ou para uma capacitação dos novos produtores de conteúdos na rede.
Formas organizacionais estruturais da sociedade, nomeadamente os midia mainstream, continuam a ser agentes centrais de comunicação e informação, assim como os principais produtores de conteúdos consumidos online.
A Internet está inserida num contexto de desestabilização do sistema político de comunicação. Essa desestablização, no entanto, pode significar uma mudança positiva, na medida em que extende e pluraliza a esfera pública.
A teoria democrática clássica compreende que a deliberação é fundamental para a existência da vida democrática. Portanto, é necessário que os processos interacionais de discurso encontrem o máximo de liberdade possível.( aqui deve-se lembrar de censura, concentração de poder e da propriedade dos meios de comunicação, da relação política em que se envolvem as empresas de comunicação).
Com o advento da Internet a interação cívica dá um grande passo histórico passando para o online, e o caráter expansivo da esfera pública se torna cada vez mais acentuado.
É preciso reconhecer que as categorias de representação e interação misturam-se. Nós tendemos a comprrender a comunicação ou como um processo "um para vários"(mass media) ou um para um (conversa). Na Internet essa distinção se desfaz.
Desestabilização da comunicação política:
-O crescimento massivo de canais de mídia, junto a mudanças nos formatos de organização da informação; o embaraçamento e hibridização de gêneros; a falta de distinção entre jornalistas e não-jornalistas.
-O aumento do número de "mediadores políticos", incluindo o crescimento massivo da profissionalização da comunicação política( especialistas, consultores, que muitas vezes têm um papel mais decisivo do que o do jornalista na criação de uma verdade comum).
- A cacofonia que emerge dessa abundância midiática e tantos atores políticos e sociais.
- A indiferença e a falta de engajamento crescenteentre os cidadãos.
Essa desestabilização é compreendida de formas antitéticas:
Perspectiva positiva - tendência do aumento da variedade de vozes políticas, criação de novas formas de engajamento. Heterogeneidade cultural pode sugerir dispersão e aberturas que significarão ganhos para a democracia.
Perspectiva negativa -no entanto, essas dispersão e aberturas podem significar também o enfraquecimento de eficácia política e a dificultação da governança. As forças centípetas do capital privado atuam sob a ordem neoliberal, desenhando o poder fora das arenas políticas tradicionais por uma variedade de mecanismos e, por consequência, constringindo e enfraquecendo a democracia.
Internet: "vanguarda" da esfera pública, o domínio onde os mais importantes avanços ocorrem.
Perspectiva estrutural (econômica): seu desenvolvimento é rapidamente direcionado para a comercialização intensificada que caracteriza o modelo da mídia tradicional. É elemento integrado na dinâmica capitalista global.
A lógica de mercado junto aos aparatos legais emergentes e o ímpeto das restrições políticas servem para constringir a extensão e as formas de representação para propósitos cívicos de um modo que lembra o modelo da mídia tradicional.
Além disso, a Internet é usada para fins não políticos muito mais do que para fins políticos.
Os tipos de interação que nela ocorrem podem ser considerados manifestações da esfera pública apenas em grau diminuto. A deliberação democtática é ofuscada pelo consumismo, entretenimento e discussões não- políticas.
Paradoxo: ao mesmo tempo que a Internet já é parte integrada do sistema político de comunicação é usada para desafiar as estruturas de poder vigentes.
Mesmo os esforços dos governos mais autoritários de restringir os usos democráticos da Internet são ineficazes. O papel subversivo da Internet não pode ser subestimado (lembrar da Primavera Árabe.).
Hoje, o maior desarranjo entre a comunicação na esfera pública e as estruturas institucionais para a tomada de decisões encontra-se no âmbito global. Fóruns transnacionais, mobilização de opinião, tudo isso é evidente na Internet; já os mecanismos de transformação da opinião em nível global em decisões e políticas são extremamente limitados. Embora já possamos ver o contorno de uma sociedade civil global, está longe sua realização. O que há de mais forte, no entanto, é o ideal dessa sociedade no imaginário social.
Setores da esfera pública online:
- e - governments, onde representantes do governo interagem com os cidadãos e onde informações sobre a administração eos serviços do governo estão disponíveis para consulta.
- O domínio do ativismo, onde as discussões são enquadradas por organizações e manejadas para gerarem intervenções políticas. Esse domínio inclui os políticos parlamentares, grupos políticos estabilizados na longa luta por algum interesse e os novos grupos de militantes políticos.
- A variedade de fóruns políticos onde diferentes visões são compartilhadas e a deliberação acontece. É o setor paradigmático da esfera pública na Internet.
- O domínio parapolítico, onde tópicos sociais e culturais que tenham a ver com interesses comuns e/ou identidades coletivas são abordados.Aqui a ação política não é explícita, mas existe como potencial.
- O domínio do jornalismo, que inclui tanto as grandes empresas de notícias que foram para o online quanto as organizações de notícias surgidas na Internet e aos sites pessoais, conhecidos como blogs.
"Existe uma vida política em extensão na Intenet, que é principalmente uma extenção da vida política offline". Margolis and Resnick (2000, p. 14)
Limites para a democracia deliberativa:
- Pesquisas recentes mostraram que discussões online nem sempre se encaixam nos ideiais da democracia deliberativa. Discuros nem sempre são racionais, tolerância para com aqueles que defendem opiniões diferentes falta muitas vezes, e as formas de interação não são sempre civis.( característica que distingue as discussões no ciberespaço para as discussões presenciais- pois esse tipo de coisa também acontece em assembleias, por exemplo- é a falta de tempo para ouvir as opiniões alheias e apreciá-las).
Pontos positivos:
- O estudo comparativo de Tsaliki que analisou foruns da Grécia, da Holanda e da Grã- Bretanha constatou que na Internet a discussão política se apresentava em níveis satisfatórios. Uma das consequências positivas da migração das discussões políticas para a Internet é a participação de cidadãos que não se sentiriam confortáveis em debater em uma situação presencial.A Internet, portanto, aumenta as possibilidades de participação.
O contato com ideias, visões políticas, grupos de discussão aumenta o sentido de democracia tanto a nível individual quanto a nível coletivo.
Internet, Public Spheres, and Political Communication, Peter Dahlgren
Opiniões de internautas (matéria da Carta Capital sobre páginas no Facebook que ironizam políticos).
A artilharia política no Facebook
por Renan Truffi e Rodrigo Martins — publicado 27/05/2014 08:39, última modificação 27/05/2014 17:42
"Eu acho que a internet não terá esse papel tão importante que tantos falam.O conteúdo é tão bélico, furibundo, parcial e intransigente que acaba se anulando.Ou no máximo ficam falando para ovelhas já catequisadas.Não há debates de idéias, só ataques.
Pena."- postado em 27/05
"Foi extremamente importante a entrada da internet no assunto pois antes nunca ninguem discutia politica, a maior parte do povo ficava totalmente isolado do assunto, era praticamente um tabu. Ninguem sabia o que estava ocorrendo no senado, havia muita pouca participacao, muito menor ainda entre os jovens.Agora cada um tem acesso as informacoes e pode filtrar o que eh interessante ou porcaria falsa. Conhecemos melhor nossos candidatos, nao dependemos apenas das falas que aparecem na TV.Este fenomeno eh puramente consequencia da insatisfacao das pessoas com os governos."- postado em 27/05
"O eleitor e o mundo dos problemas são reais, não virtuais! Se não tivermos maturidade intelectual e cívica para distinguir e separar este paralelismo em nossas vidas e se nos encantarmos tanto com este "perfeito" mundo "onírico-digital-eletrônico" a ponto de tentarmos trazê-lo para a esfera mais sólida cá embaixo, penso então que as calçadas continuarão esburacadas pelos séculos assim como a situação da saúde, da educação, da infraestrutura e distribuição de renda. Se o eleitor se deixar seduzir apenas pelos cantos de sereia à esquerda ou à direita no Facebook, Twitter e outras porcarias só denotará que realmente nós, enquanto sociedade, estaremos fingindo que participamos dos problemas e das soluções deste país e o governo eleito, reciprocamente, também fará sua parte, ou seja... nada! O eleitor, o cidadão, o ser real deste plano, tem que se preocupar muito mais com o que ocorre (ou não) no seu quarteirão, no seu quadrado, do que com o que ocorre além da tomada elétrica e cabos de rede do seu computador. Penso ser muito mais importante conhecer e conversar (fisicamente) com o síndico do seu condomínio, ter acesso ao possível seu candidato a vereador, seu congressista do que perder seu tempo partidarizando e compartilhando publicações mentirosas financiadas por este ou aquele partido, pois na verdade, o que querem mesmo é eleger ou destituir candidatos simplesmente usando muito mais a mentira, a fofoca e a denúncia infundada como a maior ferramenta, apostando na imaturidade e insensatez do cidadão comum, do que na produção de propostas factíveis e reais programas de governo, e isto não produz nenhum efeito benéfico para a sociedade que precisa sim madurar e ter consciência que o governo lhe serve e não o contrário."- postado em 27/05
Trabalho de Língua Portuguesa
segunda-feira, 2 de junho de 2014
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Mimeses enevoadas
O sol impressionista nasce. No ano de 1872 o pintor francês Claude Monet termina essa que seria a obra inaugural do movimento impressionista. L' impression soleil levant é considerado marco da experiência impressionista pelas inovações trazidas tanto na técnica quanto na compreensão da imagem. Nas palavras do próprio Monet, " A paisagem não passa de uma impressão instantânea". A representação pictórica de imagens reais no Impressionismo- como o próprio nome sugere- baseia-se na impressão, ou seja, na percepção visual. A imagem é portanto compreendida na relação entre os objetos e o olho humano; não importa buscar a representção fidedigna e detalhada das coisas, e sim pintar as coisas tal como o olho humano as recebe no instante. Longe da pintura acadêmica desde 1862, Monet dedicou-se à técnica de pintar o efeito das luzes com rápidas pinceladas, ensinada por Charles Gleyer. A técnica inovadora é a base da pintura impressionista.
Junto a Monet, Pierre-Auguste Renoir inaugura o movimento impressionista na célebre exposição de 1874. Organizada em um salão alternativo, foi muito mal recebida pela crítica. Um desses críticos, Louis Leroy,escreveu em sua resenha " Exibição dos Impressionistas", primeira a usar a expressão "impressionistas": "Um papel de parede é mais bem acabado do que a paisagem marítma", em referência ao quadro inaugural de Monet. Renoir, outro aluno de Charles Gleyer, expôs obras como "A bailarina". Assim como essa pintura, a maior parte das obras de Renoir representa cenas do cotidiano parisiense. A imagem feminina também é constante em seus quadros, o que talvez tenha a ver com a delicadez da própria técnica impressionista.
"Margens do Sena em Argenteuil", de Édouard Manet, foi também exposta em 1874. A escolha por pintar as figuras humanas de costas, contemplando a paisagem, é muito característica nas obras impressionistas. Na verdade, a própria técnica empregada é responsável por criar cenas e figuras que parecem distantes, e até mesmo melancólicas. As pinturas impressionistas são como uma contemplação de si mesmas. Se em um primeiro momento a técnica e o resultado impressionistas não agradarm aos críticos, o movimento Impressionista é até hoje muito impactante aos olhos. A falta de clareza e uma certa aproximação com a imagem onírica fazem os quadros impressionistas penetrarem profundamente no universo imagético e subconsciente do ser humano.
Exemplo máximo da técnica do pontilhismo , "O castelo dos papas", de Paul Signac, foi finalizado em 1900, quando o Impressionismo já deixara de ser "arte menor". Sigmac, que aprendera a técnica pontilhista com Seurat, foi um dos maiores impulsionadores do Neo- Impressionismo. Nessa pintura ficam claros os pontos que juntos formam a imagem. A ausência total de contorno definido é superada pela sabedoria cromática dos impressionistas. A cor é, assim, elemento mais que fundamental na constituição da imagem.
Maior expoente do Impressiosmo no Brasil, o ítalo- brasileiro Eliseu Visconti recebe em 1892 o primeiro prêmio de viagem ao exterior concedido pela República, viajando no ano seguinte para a França. Lá, ele é admitido na École nationale supérieure des beaux-arts, mas a abandona para ingressar na École normale d'enseignement du dessin. Dessas escolas traz influências do impressionismo,do simbolismo e da art nouveau. Em 1901, Visconti organiza sua primeira exposição individual na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, trazendo óleos da França. Em 1920 regressa definitivamente ao Brasil e, inspirado pela luminosidade e cores das paisagens de Teresópolis, cria um impressionismo próprio.
O impressionismo no Brasil, tardio e pouco expressivo, contou com poucos representantes, entre eles, além de Visconti, Timóteo da Costa. Ingressou na Escola Nacional de Belas Artes por volta de 1894 e em 1907, conquistou o prêmio de viagem à Europa na Exposição Geral de Belas Artes, seguindo então para Paris. De seu contato com artistas franceses nasceu a inspiração impressionista. Suas obras, assim como as de Visconti, retratavam cenas bastante europeizadas, não contribuindo assim para uma representação própria do cotidiano brasileiro. Assim, os artistas de influência impressionista brasileiros, ao contrário dos primeiros impressionistas, estavam ligados à arte acadêmica, de valores tradicionais.
domingo, 13 de abril de 2014
NOME DO ALMANAQUE: Florence
FORMATO ABERTO: 40 x 28 cm / FORMATO FECHADO: 20 x 28 cm
MIOLO: 48 páginas
SINOPSE:
Artistas e profissionais do universo audiovisual decidiram montar um almanaque que refletisse a preponderância da Imagem na vida moderna.Na presente edição, comemorando seus dez anos de existência, o almanque traça um panorama acerca das transformações da Imagem a partir do surgimento da fotografia.Dirigido principalmente àqueles interessados nas diferentes vertentes da produção da Imagem, o almanaque, todavia, não se restringe a um público específico: como a visão é o sentido que predomina na vida moderna, todos podem se interessar por um material em cujo foco está a Imagem.
O almanaque é editado anualmente. A primeira edição foi publicada em junho de 2004. A fim de marcar seus dez anos de existência, a edição de 2014 é lançada no mesmo mês, junho.
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO:
EQUIPE: ETAPAS:
Caio Pereira Redação de 1 matéria sobre Fotografia. Revisão das 2 matérias restantes sobre Fotografia. Revisão (R1) de uma matéria sobre Animação. Revisão (R1) de uma matéria sobre Games. Diagramação de sua matéria. Revisão (R2) da seção de Artes Plásticas.
Carolina Cardozo Redação de 1 matéria sobre Artes plásticas. Revisão das 2 matérias restantes sobre Artes plásticas. Revisão (R1) de 1 matéria sobre Animação. Revisão (R1) de 1 matéria sobre Games. Diagramação de sua matéria. Revisão (R2) da seção de Animação.
Guilherme Flores Redação de 2 matérias sobre Animação e 1 matéria sobre Games. Diagramação de suas matérias. Propaganda 1.
Igor Vargas Redação de 1 matéria sobre Animação e 2 matérias sobre Games. Diagramação de suas matérias. Propaganda 3.
Lalesca Fravoline Redação de 2 matérias sobre Fotografia. Revisão (R1) da matéria restante sobre Fotografia. Revisão de 1 matéria sobre Games. Diagramação de suas matérias. Revisão (R2) da seção de Games.
Liana Monteiro Redação de 2 matérias sobre Artes Plásticas.Revisão (R1) da matéria restante sobre Artes Plásticas.Revisão (R1) de 1 matéria sobre Animação. Diagramação de sua matérias. Propaganda 2. Revisão (R2) da seção de Fotografia.
Planejamento Editorial
Distribuição de Conteúdo
Seções:
1: Fotografia
2: Artes Plásticas
3: Animação
4: Games
Matérias:
1:
2:
3:
4:
Propagandas:
P1- Debate Público sobre Arte Contemporânea.
Tamanho: 19 x 27 cm
P2- Agência Publicitária.
Tamanho 19 x 13,5 cm
P3-
quinta-feira, 27 de março de 2014
Jaguar
Parte I- Entrevista com Jaguar.
(Colorido normal: fala do Jaguar sem retextualização; Colorido em itálico: fala do Jaguar retextualizada).
Ou seja, zero álcool.Cerveja, não é que ela seja completamente sem álccol.Ela tem 0,05.Zero-cinco.Zero-cinco, zero-cinco é que chega um resultado expressivo né?
Agora, só cerveja sem álcool. Quer dizer, tem 0,5% de álcool. Ou seja, de 0,5 em 0,5 a gente pode chegar a um resultado expressivo!
A retextualização elimina as repetições prototípicas da fala, adequando o conteúdo à modalidade escrita, e prefere empregar outro tipo de indeterminação( "a gente", mais infornal ) a acrescentar um "se" para que a expressão " é que chega" se torne gramaticalmente correta. Como Jaguar é uma figura pública conhecida pela irreverência, o retextualizador optou por essa troca.Outra mudança feita pela retextualização é o acréscimo da preposição "a", corrigindo um problema de regência.Na fala, é muito comum a supressão de preposições(uso de cortadoras).O retextualizador também corrige a quantidade de álcool indicada por Jaguar e acrecenta o símbolo de porcentagem, com o objetivo de facilitar o entendimento do leitor.
Eu tive foi um tumor, um "che" no fígado.E foi exterminado.
Tive um carcinoma no fígado. Um “Che”. Segundo os exames, está extinto.
O jornalista aqui opta pela substituição da palavra " tumor" por um sinônimo."Carcinoma" é um termo científico e, como acontece muitas vezes com esse tipo de termo, é usado para minimizar a gravidade que a palavra "tumor" carrega.É, portanto, um eufemismo.Mais uma vez, na substituição de "exterminado" por "extinto" nota-se a tentativa de mitigar a gravidade da situação de se ter um câncer."Exterminar" tem um valor muito forte,pois o que deve ser exterminado é certamente muito danoso.O acréscimo de "segundo os exames" ratifica o caráter científico e médico que se tenta introduzir nas frases.A fim de não descaracterizar totalmente a fala de Jaguar, o retextualizador mantém a expressão irreverente que ele usa, "um che", interpondo- a entre as duas frases "científicas".
O me...o melhor período da minha vida foi o que eu tive preso, que eu acordava de manhã e dizia assim: " o que que eu tenho que fazer?Porra nenhuma!"
Eu subornava os guardinhas lá, bebia o dia inteiro, era muito diverti...era ótimo.E li,e tentei ler "Ulisses".Não consegui.
O quê? Fiquei três meses na Vila Militar. Nunca bebi tanto. Não é piada: foi a fase mais feliz da minha vida. Acordava e pensava: “O que tenho para fazer hoje? Porra nenhuma!” Subornava os guardas para ter cachaça. Bebia do gargalo e jogava num matagal atrás da cela. Consegui ler 60 páginas de “Ulisses”. Depois não retomei. “Ulisses” ou você lê na prisão ou não lê.
O retextualizador prefere reagrupar as ideias que vão surgindo no discurso de Jaguar de maneira que fiquem encadeadas como em uma narrativa da escrita .Na fala, o fluxo de ideias é diferente daquele da escrita.Além disso, acrescenta uma marca temporal" três meses" para deixar a narrativa mais clara para quem lê.
A opção por manter uma frase tão informal como "Porra nenhuma" é novamente justificada pelo caráter irreverente e bem-humorado do entrevistado.
Na retextualização, há a troca de "guardinhas" por "guardas", talvez porque "guardinhas" tenha no diminutivo uma ideia de desqualificação, que o jornalista deseja evitar.
Jaguar diz que tentou ler Ulisses e não conseguiu, o que, junto a elementos como a entonação de voz e gestos corporais, tem muito humor.No entanto, na escrita, onde ficam ausentes esses elementos, é necessário acrescentar informações- deduzidas pelo retextualizador- para que esse humor não se perca.("Ulisses, ou você lê na prisão ou não lê").
A verdade, essa, essa minha atividade política me,me ferrou.Eu fui demitido, a minha vida se ferrou, eu fiquei pobre...
Houve outras indenizações muito maiores do que as nossas.
Acho que isso foi a salvação da minha lavoura.
Eu não. Eu achei ótimo. Foi o que salvou minha vida. A ditadura me ferrou, perdi emprego, fiquei no miserê. Foi uma iniciativa da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), eu topei. Tem gente que é rica e recebeu o triplo.
Novamente o retextualizador encadeia as ideias de Jaguar de um outro modo, deixando o discurso mais claro na escrita.Algumas repetições são suprimidas e acrescenta-se informações para deixar mais precisas as afirmações de Jaguar- "Tem gente que é rica e recebeu o triplo" e ""Foi uma iniciativa da ABI(Associação Brasileira de Imprensa)".
Para manter a personalidade de Jaguar, a expressão " me ferrou" permanece e introduz-se a expressão despojada "no miserê", substituindo "pobre".Essas escolhas compensam a troca de "salvação da minha lavoura" por uma expressão mais sóbria.
O Ziraldo, que eu acho que ele fez errado...Numa, numa reunião da ABI esculhambou os que não tiveram coragem de enfrentar a ditadura.
No caso da indenização, o que estragou foi o Ziraldo. Tem horas em que é melhor ficar na moita. Ele foi à ABI e fez um auê, esculhambou todo mundo, disse que quem era contra estava botando o rabo entre as pernas.
O jornalista reelabora a primeira frase de Jaguar, que mistura duas construções possíveis na escrita- "O Ziraldo, eu acho que ele fez errado" e "O Ziraldo quem fez errado".Para fugir da complicação que é decidir entre essas duas construções, o retextualizador elabora uma frase que as dispensa, mantendo, porém, o sentido da frase.O verbo "estragar" carrega em si o julgamento explícito na fala de Jaguar.
Para contextualizar, emprega-se" No caso da indenização".
Mais uma vez, a introdução de expressões como "fez um auê", "ficar na moita"e "botando o rabo entre as penas" justifica-se pela tentativa de manter o personagem Jaguar.
Eu não voto, nunca votei.Acho que a última vez que eu votei foi no Brizola.
Eu não voto! A última vez em que votei foi no Brizola.
Para eliminar um problema de coerência lógica, na retextualização, a fala" nunca votei" é suprimida.A outra alteração é a adição da preposição "em", adequando a frase à norma padrão.
O humor é um negócio pra fazer rir, ou pelo menos ser engraçado.O que predomina é uma coisa muito cerebral, assim.E você fica feliz da vida de ter entendido a...Então, eu achava os "Três Patetas" horrível, agora tô achando ótimo.Aquele negócio de dar a panela na cara do outro, outro tira o dente do outro, e por aí vai.
Mas, voltando ao humor, ele anda muito sério, muito inteligente, sofisticado, mesmo quando é bom. O pessoal não se preocupa em fazer rir. A gente se sente feliz da vida quando consegue entender a piada. Por isso eu mudei. Detestava os Três Patetas. Hoje, adoro aquela coisa de martelada na cabeça, panelada na cara, dente arrancado. É o suprassumo.
Primeiramente, a fim de manter certa ordem na versão escrita da entrevista, é adicionada a oração" voltando ao humor".
O retextualizador também altera o encadeamento de ideias para que a narrativa de Jaguar se torne mais inteligível aos leitores.A substituição de "cerebral" por "inteligente" e a colocação de "sofisticado", que sintetiza e esclarece a opinião de Jaguar, são aspectos que demonstram a tentativa de tornar mais claras e compreensíveis as ideias do entrevistado.
Na parte em que Jaguar fala sobre os "Três Patetas, como mecanismo de coesão, o retextualizador introduz a oração"Por isso eu mudei".Desse modo, as frases de Jaguar ficam mais costuradas.Além disso, a retextualização escolhe transformar os verbos que Jaguar usa em substantivos, deixando a escrita mais organizada.
O dia que eu parar de trabalhar, e não posso parar porque não tenho carteira assinada, essas coisas, nada.Não tô...Fundo de Garantia, não tenho nada,entendeu?
Nunca tive dinheiro, plano de saúde, carteira assinada.
A retextualização aqui funciona de modo a sintetizar o dito por Jaguar.
Eu leio pelo menos três jornais por dia.
Sou viciado em jornal de papel. Leio três por dia.
Julgando três uma quantidade muito grande de jornal para se ler em um dia, o retextualizador emprega o adjetivo "viciado", deixando mais leve e informal a fala de Jaguar.O adjetivo também serve para trazer maior relevo à informação dada pelo entrevistado.
A menina que...eu assinei lá o... cartão de crédito, né, "Jaguar, é?", ela falou, "O cartunista, Jaguar?"Eu falei: "É.Como é que cê sabe que eu sou cartunista?" Como é que você sabe que esse velhinho aqui é um cartunista?Ela falou: "Eu sou caixa de supermercado, mas aprecio a cultura!"(risos)Achei tão bonitinho, rapaz.Cartunista...
Uma caixa de supermercado outro dia viu minha assinatura e perguntou: “Jaguar, o cartunista?” Eu disse: “Como é que você sabe?” E ela: “Eu posso ser humilde, mas me interesso por cultura.” Eu achei tão bonitinho!
O retextualizador diminui o volume de texto substituindo por expressões sintéticas longas sentenças.Por exemplo, " a menina que eu assinei lá o cartão de crédito" é a caixa de supermercado. É possível ver também substituições ideológicas quando ele troca" caixa de supermercado" por "humilde". Está implícito que uma caixa de supermercado é uma mulher humilde.Na verdade, é possível inferir isso também quando da ideia de "apreciar a cultura".Apesar de ser caixa de supermercado, ou seja, pessoa humilde, ela aprecia (ou se interessa pela) a cultura.
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